Francisco José Viegas
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Parece ser cada vez mais difícil entrar no reino dos céus – mas, em contrapartida, o reino da hipocrisia está de portas escancaradas.
Parece ser cada vez mais difícil entrar no reino dos céus – mas, em contrapartida, o reino da hipocrisia está de portas escancaradas.
Outro dia, na TV, assisti a um espetáculo tenebroso: surfistas de ar blasé peroravam sobre leis, a bondade do governo e a necessidade de obedecer à DGS. Tremi.
Donald Trump está feliz com os distúrbios que percorrem a América porque estes lhe possibilitam identificar um adversário feroz e visível, alarmante, impopular – e regressar à campanha eleitoral, alimentando esperanças de a ganhar.
Fio-me pouco no patriotismo, como o leitor sabe – acho, inclusive, que o ‘patriotismo’ é um argumento ligeiramente canalha, uma espécie de último reduto para argumentos que já não convencem ninguém.
A deputada Constança Urbano de Sousa, com ingenuidade e ignorância (duas coisas que andam sempre a par), representa o papel da anti-semita de serviço, tal como Salazar e o Ministério dos Estrangeiros da época (a II Guerra) duvidavam da existência de tantos judeus portugueses.
Se me perguntassem que canções da história do cinema eu mais recordo, certamente que ‘Johnny Guitar’ estaria entre as cinco primeiras.
Maria Velho da Costa era uma voz da elite das letras; escrevia maravilhosamente, pecado que a banalidade não lhe desculpará, tal como há de marcá-la como uma das escritoras impopulares e pouco "acessível".
A Livraria Lello foi vista, durante muito tempo, como inspiradora da escritora J.K. Rowling.
Uma das vantagens do ‘desconfinamento’, e da abertura das praias e esplanadas, é o fim das reportagens melodramáticas na televisão sobre como a tragédia não tinha fim nem, aparentemente, saída.
A vice-presidente do governo espanhol é uma das minhas personagens preferidas. Tem alguma coisa que mistura vários portugueses que me divertem de longe mas, na hora certa, ultrapassa as previsões.
Na China é possível, há muito, chegar a um restaurante, escolher o menu num tablet e pagar de imediato – tudo sem "proximidade social"; a coisa é vista como uma "novidade" luminosa entre nós, europeus.
Hoje reabrem mais lojas, esplanadas, muitos restaurantes – há um certo caminho para o regresso à normalidade.
Claro que todos sabemos quem mentiu nesta pequena história. Quanto à gratidão, nem vale a pena explicar.
Bruce Chatwin morreu novo, aos 48 anos, e deixou uma obra cujo centro é ‘Na Patagónia’.